O Orçamento Público como Garantia da Dignidade: Uma Reflexão para a Psiquiatria
No exercício da psiquiatria, a clínica e o Direito Constitucional se encontram em um ponto sensível: a efetividade do direito à saúde. Como jurista dedicado a apoiar a classe médica, observo que a prática psiquiátrica não ocorre no vácuo; ela depende da higidez das escolhas orçamentárias do Estado.
O artigo 196 da nossa Carta Magna é claro: a saúde é direito de todos e dever do Estado. Contudo, na gestão pública, deparamo-nos frequentemente com a tese da “Reserva do Possível”. Para o gestor, o orçamento é finito; para o médico, especialmente na saúde mental, a necessidade do paciente é premente e, muitas vezes, vital.
O Orçamento Público e a Saúde Mental
O orçamento não é apenas um conjunto de números; é a materialização de prioridades políticas e sociais. Quando discutimos a destinação de recursos para a RAPS (Rede de Atenção Psicossocial), estamos discutindo a constitucionalidade da proteção à dignidade da pessoa humana. Não há saúde sem saúde mental, e não há saúde mental sem um financiamento que garanta:
1. Acesso a Terapêuticas Modernas: Onde o orçamento falha em prever medicamentos de última geração, o Direito Constitucional deve intervir para garantir que o “Mínimo Existencial” do paciente seja respeitado.
2. Segurança Jurídica para o Médico: A escassez de recursos públicos não pode ser transmutada em responsabilidade pessoal do médico. O suporte jurídico especializado visa proteger a autonomia da psiquiatra diante das limitações estruturais do sistema.
3. Equilíbrio Federativo: A saúde é competência comum. Entender como as leis orçamentárias (PPA, LDO e LOA) distribuem recursos é fundamental para judicializações estratégicas que buscam a internação ou o tratamento especializado.
Minha atuação na defesa de médicas psiquiatras foca exatamente neste elo: garantir que a Constituição seja o escudo que protege o exercício da medicina contra as omissões do orçamento público. A justiça social começa com a proteção da saúde mental daqueles que cuidam.
