O Guardião da Escuta
Entre o jaleco e a alma nua,
Ergue-se a ponte do sigilo,
Onde a dor que o peito acua
Encontra um porto, um asilo.
Não é só ciência ou diagnóstico,
É o peso ético do olhar;
Diante do caos, ser o prognóstico
De quem reaprende a caminhar.
As mãos não tocam a ferida,
Mas a palavra é bisturi e cura;
Respeitar o tempo de cada vida,
Na sua mais terna e frágil estrutura.
Pois a ética é o fio de prumo
Que baliza o dom de intervir:
Dar ao náufrago o norte e o rumo,
Sem o seu “eu” interferir.
Ser psiquiatra é ser sentinela,
Da mente alheia, fiel guardião;
É abrir pro outro a própria janela,
Mas manter os pés no chão.
