O Equilíbrio
“Entre o código frio e o palanque ardente,
Caminha o mestre da palavra e da lei.
Na tribuna do júri, defende o vivente,
No fórum do povo, questiona o rei.
A política é o mar, o Direito é o cais,
Onde a ética ancora o poder que divaga.
Pois sem a justiça, os planos mortais
São barcos perdidos na força da Tribuna e o Destino
Na suntuosa sala onde o silêncio impera,
Ergue-se o mestre da norma e do direito,
Traz na palavra a força de uma era,
E a balança fiel guardada no peito.
Veste a beca, armadura do argumento,
Frente ao juiz, o império da razão,
Mas sente o sopro e o forte movimento
Das ruas que clamam por sua intervenção.
Pois o Direito é o trilho, a mão segura,
Que baliza o ímpeto da humana vontade,
Mas a Política é a chama, a luz pura,
Que busca o caminho da própria equidade.
Se o advogado no fórum peticiona,
O político no povo sua voz semeia;
Um a justiça escrita sanciona,
O outro o destino do mundo clareia.
Não há lei sem o pacto da cidade,
Nem cidade que viva sem o justo rito;
A advocacia é a busca da verdade,
A política, o sonho no papel escrito.
Um maneja o código, o texto sagrado,
O outro a esperança, o verbo febril;
E nesse encontro, o povo amparado,
Ergue o edifício de um novo perfil.
Maldito o que usa a lei como cilada,
Ou faz da política um balcão de mercado!
Pois a toga e a tribuna, na jornada,
Devem servir ao ser que está deserdado.
Que a eloquência defenda a liberdade,
E que o poder não corrompa a missão:
Ser advogado é viver na alteridade,
Fazer política é dar ao povo a mão.
ETICA E CORRUPÇÃO
O Tribunal da Consciência
Veste-se a toga, oculta-se o defeito,
Em frases de ouro e verniz de orador,
Mas o que pulsa no escuro do peito
É a sede do ganho e o desprezo ao valor.
A lei, que era escudo do fraco oprimido,
Torna-se rede que o forte maneja,
E o pacto sagrado, por tramas traído,
Vende a justiça em qualquer assembleia.
A ética dorme em gavetas fechadas,
Enquanto o suborno caminha no escuro,
Entre promessas em salas isoladas,
Onde o caráter não passa de um muro.
Onde havia o zelo pela equidade,
Cresce o veneno da mão que se vende,
E a política, outrora busca da verdade,
Em feiras de votos o mundo suspende.
Diz o ditame que o povo é o guia,
Mas o advogado que a alma leiloa,
Faz da injustiça a sua alegria
E sobre o cadáver da honra perdoa.
Ouro no bolso e o nome manchado,
Pois não há recurso que limpe a traição:
Quem usa o Direito pro crime velado,
Leva a sentença no próprio coração.
Ergue-te, mestre, da lama do vício!
Pois a advocacia não é mercadoria.
A ética impõe o constante sacrifício
De ser a Que a política seja o bem que se constrói,
E a lei o limite da mão gananciosa,
Pois o tempo passa e o vício destrói
A glória que um dia pareceu vultuosa.
