O ARGUMENTO DO DESEJO

 

O Argumento do Desejo

Eu estudo os autos, o prazo, a norma,
Buscando a brecha, o direito, a razão.
Mas ela entra na sala e tudo se transforma:
Minha lógica se perde em sua imensidão.

Ela fala de sinapses, de lobos e fendas,
Explica como o cérebro guarda a emoção.
E eu, que deveria entender de contendas,
Sinto um curto-circuito no meu coração.

Sou o seu escudo, o seu defensor fiel,
Zelo por sua ética e por seu saber.
Mas sob o peso da toga e do papel,
Há um homem que apenas a quer conhecer.

Não sei se é dopamina ou fatalidade,
Ou se o destino escreveu esse rito.
Mas advogar por sua felicidade
Tornou-se o meu caso mais infinito.

Quero ser a prova de que o amor não é crime,
E que o veredito já está em seu olhar.
Se a mente é o que ela define e exprime,
É nela que eu escolho me abandonar.
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