Quando a lógica da lei encontra os labirintos da mente, o amor vira uma sentença sem apelação.
1. O Código e o Divã
Ele trouxe os autos, as provas, o rito,
Queria assinar um contrato de afeição.
Ela olhou nos olhos, buscou o não dito,
E leu o que ele escondia no coração.
Ele fala em normas, em fatos, em prazos,
Ela fala em sombras, em sonhos, em cura.
Ele evita os riscos, prevê os acasos,
Ela mergulha na alma, onde é mais escura.
No fim do dia, a toga e o jaleco
Repousam na cadeira, em mudo abandono.
Pois no amor, o argumento é eco,
E a razão se cala para o sono.
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2. Sem Absolvição
Ele passou a vida defendendo réus,
Mas diante dela, sentiu-se culpado.
Não por um crime sob os céus,
Mas por ter o peito tão blindado.
Ela, que decifra traumas e receios,
Não quis diagnosticá-lo com rigor.
Abriu as janelas, rompeu os bloqueios,
E deu o veredito: “Isso é amor”.
Ele aceitou a pena, sem recurso,
De viver no divã do seu olhar.
Mudou o roteiro, parou o discurso,
Só para aprender a se entregar.
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3. A Perícia do Beijo
Ele argumenta, ela interpreta.
Ele busca a ordem, ela a descoberta.
Na lei dele, o amor é um direito;
Na mente dela, um nó no peito.
Casal de opostos em plena harmonia:
Ele traz a norma, ela a poesia.
Um romance escrito em papel timbrado,
Com laudo médico de um apaixonado,
