A FRONTEIRA DA MENTE E A BALANÇA


Na branca sala, o silêncio é espesso e cru,
O psiquiatra tateia o abismo, o azul e o nu.
A mente humana, labirinto de sombra e luz,
Onde a dor insuportável, ao ato, seduz.
Não é covardia, nem mero desleixo do ser,
É a angústia extrema, o desejo de não mais sofrer.
A psiquiatria tenta, com ciência e com afeto,
Adiar o inevitável, o triste e silencioso neto.
Mas a morte, por suicídio, é curva na estrada,
Quando a vida se gasta, insuportável jornada.
O paciente se vai, rompe o pacto do tempo,
Deixando o doutor com o luto e o desalento.
A clínica vacila, o saber se torna precário,
Diante do inominável, do desfecho extraordinário.
“Pode ser prevenido, mas não totalmente previsto,”
Ecoa a frase, um fardo que no peito está visto.
Então surge a ciência do advogado, no frio papel,
A analisar o prontuário, a conduta, o réu… ou o fiel?
A vida do paciente agora é prova, documento,
Onde o luto se mistura ao jurídico momento.
O advogado busca o nexo, a cautela, o dever,
Se a medicina falhou ou se o ato era o querer.
Entre a dor de quem fica e a ética profissional,
A lei tenta medir o impossível, o irracional.
Não é só defesa técnica, é humanidade no processo,
Entender que a psiquiatria não controla o sucesso.
A morte é a fronteira que a ciência não cruza,
E a justiça, com sua balança, a dureza se recusa.
Mas ao final, entre a vida perdida e o direito posto,
Fica o eco da tragédia e o luto que se faz rosto