O OFICIO DO JUSTO


Não é escravo da letra, nem do papel o refém,
Pois quem só olha o código, a alma não detém.
Se a lei se torna muro, e o direito é o horizonte,
O advogado é o guia que atravessa a ponte.
Há leis que o tempo esqueceu de atualizar,
Palavras que prendem em vez de libertar.
Nesse embate ético, de coragem e brio,
Ele navega o barco contra a corrente do rio.
Pois o Direito é vida, é movimento e clamor,
Não é apenas o rito, mas o senso do valor.
Se a lei fere o justo e ignora a verdade,
Advoga-se a essência, com total liberdade.
Contra o texto imposto, se ele for opressor,
Levanta-se a voz do mudo, com todo o vigor.
Que a lei seja o meio, jamais o destino,
Pois o Direito é sagrado, e o justo é divino.