Sobre a mesa, o processo e o prontuário,
dois olhares distintos sobre o mesmo cenário.
O advogado busca a norma, o fato e o rigor,
a psiquiatra traduz o abismo, a sombra e a dor.
Ele pergunta: “Há discernimento no ato?”
Ela responde: “Há um grito sufocado no fato.”
Ele precisa da prova que a letra da lei requer,
Ela descreve o naufrágio que o trauma quer.
Não são apenas laudos, artigos ou CIDs,
são as raízes de vidas em tons de cinza e matizes.
Ali, o Direito se curva à ciência do sentir,
e a Medicina abre caminhos para a justiça agir.
Unem forças na busca de uma verdade maior:
que a pena seja justa, e o tratamento, melhor.
Pois onde a lei é cega ao que a mente padece,
a justiça se perde e a humanidade fenece.
