No papel branco, a lei dorme, fria e calada,
Palavras secas, sem alma, apenas grafia.
Mas chega o intérprete, com a mente iluminada,
E sopra vida, transformando a letra em harmonia.
Não é apenas ler, é sentir o espírito do texto,
A norma exige um olhar além do horizonte,
Onde o justo encontra o seu contexto,
E a justiça flui, límpida, da fonte.
A hermenêutica não é robô que apenas aplica,
É humana, sente, interpreta o sentir,
A justiça não se resume a uma código ou dica,
Mas ao valor que o Direito pode construir.
Semântica e contexto, em dança sutil,
Unindo a letra à realidade social,
Fazendo do Direito um instrumento útil,
Que protege o humano, em seu ser vital.
Que a norma não seja tirana da frieza,
Mas viva, poética, intérprete da razão,
Onde a hermenêutica, com sua nobre beleza,
Faz da justiça, enfim, a nossa própria canção.
