I. A Sombra do Cuidado (Homicídio Culposo por Omissão)
Não houve a faca, nem o grito, nem o dolo,
Apenas o silêncio num momento solo.
A vida, frágil, sob o peso de um papel,
Escorreu por um descuido, amargo fel.
A omissão vestiu a capa da rotina,
A negligência agiu, fria e assassina.
Um dever de agir, que se fez ausente,
Um socorro negado, sem intenção aparente.
Mas a lei é clara em sua fria letra,
A omissão culposa a vida interpreta.
O resultado veio, indesejado e cru,
Omissão que mata, sob o céu azul.
Culpa de quem devia, e não fez,
A morte se faz, por um erro de uma vez.
II. O Choro da Psiquiatra
Na sala branca, o prontuário em silêncio,
O diagnóstico falho, um triste convênio.
Ela buscava a mente, o abismo da dor,
Mas a imperícia ocultou o amor.
Um choro contido, em lágrimas de amargura,
Por uma vida perdida em sua guarda pura.
A técnica cedeu à pressa da hora,
E o choro da psiquiatra, a alma chora.
Não há remédio que cure a culpa vivida,
De ver na negligência a luz consumida.
Ela chora a falta do olhar atento,
E o paciente, perdido no tempo.
III. A Fortaleza do Advogado
Quando o medo se instala e o erro é provado,
Ergue-se a figura, no banco, ao lado.
Não de armas, mas de códigos e razões,
O advogado sustenta as convicções.
A fortaleza não é de pedra, mas de voz,
Desfazendo os nós, no tribunal feroz.
Com a técnica afiada, a busca da verdade,
Em defesa da liberdade e da dignidade.
Ele ouve o choro, entende a omissão,
Mas busca no direito a exculpação.
A fortaleza se sustenta, firme e altiva,
Até que a justiça se faça viva.
Contra a acusação, a defesa é o bastião,
A fortaleza, afinal, é o próprio coração.
