O SILENCIO NO CONSULTÓRIO

O Silêncio no Consultório
A luz da manhã entra branca, fria,
Sobre a mesa, o prontuário jaz.
A psiquiatria é técnica, é teoria,
Mas contra o abismo, pouco faz.
Olhos que buscaram um porto seguro,
Hoje encontram apenas o escuro.
A promessa de cura, o ajuste da dose,
Conversas trancadas, a alma a sangrar.
O médico assiste, o medo se impõe,
Quando a vida decide parar.
A cadeira vazia, o tempo que para,
A morte é uma sombra que a sala separa.
Dureza é ouvir o silêncio que grita,
A notícia que chega, o laudo final.
A técnica falha, a razão se limita,
Diante do ato, tão pessoal.
O suicídio é o fim de um longo luto,
Um adeus silencioso, amargo e bruto.
Mãos enluvadas, mente calejada,
Tentam entender o que não tem fim.
A morte do paciente, a alma rasgada,
Quem cuida também morre um pouco assim.
O peso do mundo, a dor que não cessa,
Na dura jornada que a vida nos peça.