O ESCUDO DO VERBO

Não se cala a voz que o Direito invoca,
Pois na tribuna o medo não tem lugar;
A imunidade é o selo a resguardar
A palavra que nasce e a lei que provoca.

Se o arbítrio tenta fechar-lhe a boca,
Ou o poder ousa o livre pensar vetar,
Ergue-se a norma para o múnus salvar,
Pois a defesa cega é defesa louca.

É o manto sacro da independência,
Que permite ao patrono a firme crítica,
Sem que a mordaça fira a consciência.
Pois na dialética, por vezes política,
A imunidade é a própria essência
Duma justiça que não se faz raquítica