O Arquiteto do Novo Rumo

Não sou o eco de vozes antigas,
Nem a sombra de acórdãos passantes.
Sou o punho que enfrenta as intrigas
De teses que dormem, distantes.

A jurisprudência é rio que corre,
Mas o leito não é de concreto.
Se a justiça no dogma morre,
O advogado desperta o direto.

“É dominante!”, brada a tribuna,
Erguendo muros de frio papel.
Mas a verdade não é fortuna
Guardada sob um mudo cinzel.

Com a pena, eu traço a fissura
Na rocha do “sempre foi assim”.
Transformo a regra, que é dura,
Em solo onde brota o jardim.

Provoquei o silêncio da toga,
Trouxe o fato que o livro esqueceu.
Se a velha ideia já não voga,
O novo direito enfim floresceu.

Não sigo a trilha — eu abro o caminho,
Pois a lei que liberta e avança
Não nasce do juiz, sozinho,
Mas do advogado que traz a esperança.
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