O eco da tribuna

A voz que se levanta contra o par,
Em vez de erguer a tese e o argumento,
É voz que cansa e deixa de brilhar,
Perdida no vazio do momento.

Pois quem agride o colega de trincheira,
Esquece que a balança tem dois pratos,
E que a ofensa — arma traiçoeira —
Não supre a falta de prova e de fatos.

A beca é manto, não é armadura
Pra ocultar a falta de nobreza.
Quem busca o dano, a dor e a amargura,
Confunde a força com a baixeza.

O desrespeito é um espelho quebrado:
Reflete a face de quem o atirou.
O advogado que ataca o advogado
Feriu a classe que o diplomou.

Não se ganha o Direito no grito,
Nem se faz justiça com o fel.
O bom combate, o mais bonito,
É o da ideia escrita no papel.

Que a urbanidade não seja esquecida,
Pois amanhã os papéis podem mudar:
A lei é roda, a vida é repetida,
E o respeito é o que nos faz caminhar.