O advogado e a leitura

Consagrado ao rito e à austera vigília,
O causídico curva-se ao dever,
Sendo o guardião da secular trilha
Que apenas o estudo ousa percorrer.

É prisioneiro de códigos e eras,
Cativo da letra que o tempo gravou,
Buscando em doutrinas e em quimeras
A voz da justiça que o mestre ensinou.

Suas correntes são tomos sagrados,
Seu cárcere é a busca pelo saber,
Pois sabe que só os bem preparados
Dão vida ao direito e o fazem valer.

Na cela do intelecto, ele encontra a luz,
Doando sua vida à hercúlea leitura,
Pois a toga que o ombro hoje conduz
É fardo de glória e eterna cultura.
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