No labirinto de leis e decretos,
Onde a letra fria se perde no papel,
O advogado traça os caminhos retos,
Sendo do juiz o guia e o fiel.
Ele segura o fio da interpretação,
Desatando nós de um texto obscuro.
Leva a justiça pela própria mão,
Para que o veredito seja solo seguro.
Não é apenas ler o que está escrito,
É dar à norma o contorno do agora.
Onde o silêncio da lei era um grito,
O argumento faz nascer a aurora.
A lei é uma margem, a sentença é a outra,
Separadas por um rio de incerteza.
O advogado é a ponte que se amouta,
Com os tijolos da lógica e da destreza.
Ele conduz o olhar de quem decide,
Mostrando que o direito não é estátua.
É no sopro da tese que a vida reside,
Longe da interpretação vã e fátua.
Pelas palavras, ele guia o magistrado,
Atravessando o abismo da dúvida atroz.
O juiz profere o que foi semeado,
Pelo vigor de uma lúcida voz.
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O juiz guarda o peso da balança,
Mas o advogado guarda a direção.
Ele é quem traduz a esperança,
No dialeto da norma e da razão.
A lei é geral, o caso é sagrado,
Cabe ao intérprete fazer o ajuste.
Conduzir o juiz pelo fato narrado,
Para que a aplicação nunca se assuste.
Doutrina e súmula são só ferramentas,
O mestre de obras é quem argumenta.
Entre as leis calmas ou as violentas,
É a sua voz que a justiça sustenta.
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